ECONOMIA
Economista-chefe da Fecomércio-RS dá palestra em Erechim sobre cenário econômico
   

Por Jornalista Maria Lúcia Carraro Smaniotto, Copydesk Jornalismo & Marketing Ltda
12/08/2026 12h10

Encontro promovido pelo Sindilojas Alto Uruguai, CDL Erechim e ACCIE reuniu empresários

e lideranças para debater perspectivas da economia e estratégias para os negócios

Empresários, empreendedores e lideranças de Erechim e região participaram, na noite desta terça-feira, 11 de agosto, da palestra “Cenário Econômico Atual & Perspectivas: Certezas & Incertezas”, ministrada pela economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo. Realizado no Clube do Comércio, o encontro foi promovido pelo Sindilojas Alto Uruguai, CDL Erechim e ACCIE, em parceria com a Fecomércio-RS, e teve como proposta oferecer informações para auxiliar o setor empresarial na compreensão do atual momento econômico e na tomada de decisões estratégicas.

Na abertura, representantes das três entidades ressaltaram a importância da informação e da atuação conjunta para enfrentar os desafios do setor produtivo. Pelo Sindilojas Alto Uruguai, o vice-presidente Roberto Fabiani destacou as incertezas econômicas e políticas e a necessidade de compreender melhor o cenário para tomar decisões com maior segurança.

(Roberto Fabiani, Patrícia Palermo, Debora Lunardi e Darlan Dalla Roza - Foto: CopyDesk Jornalismo & Marketing)

A presidente da CDL Erechim, Débora Balbinotti Lunardi, salientou que proporcionar conhecimento aos associados é uma das formas de auxiliar os empresários a corrigir rotas e adotar decisões mais assertivas. Já o presidente da ACCIE, Darlan Dalla Roza, mencionou desafios como os juros elevados, a reforma tributária e o período eleitoral, defendendo que os empresários busquem caminhos para manter, fortalecer e ampliar seus negócios.

CONECTA IN LAB APROXIMA EMPRESAS DE SOLUÇÕES INOVADORAS

Antes da palestra, o coordenador do Lab Fecomércio-RS, Gelson Junqueira, e Juliana Marcon apresentaram brevemente o Conecta in Lab, iniciativa que aproxima empresas do comércio de bens, serviços e turismo de soluções inovadoras. O programa realiza diagnósticos para identificar necessidades das empresas e conectá-las a alternativas capazes de aprimorar processos e resultados.

CENÁRIO EXIGE COMPREENSÃO E CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃO

Ao iniciar sua palestra, Patrícia Palermo explicou que sua proposta era apresentar uma visão realista do momento econômico. Para a economista, conhecer a conjuntura não significa ter capacidade de modificá-la, mas permite que empresas e pessoas se preparem melhor para suas consequências. “Quando a gente entende o cenário econômico, a gente não pode alterá-lo. Mas consegue entendê-lo e, com isso, consegue se adaptar. E, se adaptando, sofre menos”, afirmou. Segundo Patrícia, o objetivo é justamente aproveitar oportunidades e atravessar os períodos mais adversos de maneira mais preparada.

Na análise internacional, Patrícia abordou as transformações ocorridas desde a pandemia, a desaceleração do crescimento mundial, os conflitos geopolíticos, a elevação dos preços da energia, o protecionismo comercial e o endividamento dos governos. Também chamou a atenção para os investimentos em inteligência artificial e para as dúvidas sobre a capacidade de os ganhos de produtividade acompanharem o elevado volume de recursos direcionados ao setor.

BRASIL PASSA POR PROCESSO DE DESACELERAÇÃO

Ao tratar da economia brasileira, Patrícia destacou que o País atravessa um processo de desaceleração. Conforme os dados apresentados, o PIB cresceu 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025, enquanto a estimativa apresentada para 2026 ficou em torno de 1,8%. “A gente não tem dúvida de que está num processo de desaceleração. Mas a gente está em dúvida no ritmo da desaceleração”, explicou. A economista ressaltou, entretanto, que desaceleração não significa recessão: a economia continua crescendo, porém em velocidade menor, aumentando a disputa das empresas pelo mercado. “Se a gente quiser crescer, não tem que ser só melhor que nós mesmos, tem que ser melhor do que quem está do lado da gente.”

Os juros elevados aparecem entre os principais fatores que limitam a atividade econômica. Patrícia lembrou que a taxa básica chegou a 15% ao ano e observou que, mesmo diante da perspectiva de redução, deverá permanecer em patamar elevado. Inflação, petróleo, clima, energia e câmbio também foram apontados como fatores que exigem atenção.

A economista também analisou o mercado de trabalho, marcado pela baixa taxa de desocupação e pela dificuldade das empresas em encontrar trabalhadores. Segundo ela, mudanças demográficas, novas modalidades de trabalho e o elevado nível de ocupação ajudam a explicar esse quadro, que traz como consequências maior rotatividade, pressão sobre salários e necessidade crescente de qualificação das equipes.

Ao mesmo tempo, apesar do elevado nível de ocupação e da massa salarial, Patrícia observou que o consumo não apresenta expansão proporcional. Entre as razões apontadas estão a carga tributária, o endividamento das famílias, os gastos com apostas e a parcela da renda comprometida com dívidas.

O QUE ESTÁ NAS MÃOS DAS EMPRESAS

Na parte final da palestra, Patrícia direcionou a análise para os fatores sobre os quais os próprios empresários podem agir. Segundo ela, diante de um cenário macroeconômico comum a todos, a diferença pode estar na qualidade da gestão, no conhecimento dos números da empresa e na capacidade de interpretar as mudanças no comportamento do consumidor.

Entre essas transformações está o envelhecimento da população. Conforme os dados apresentados, 16% dos brasileiros têm mais de 60 anos e, no Rio Grande do Sul, essa participação chega a 21,2%. Patrícia chamou a atenção para o potencial desse público, que apresenta maior ticket médio, maior fidelidade aos estabelecimentos e demanda produtos e atendimento adequados às suas necessidades.

Outro comportamento destacado foi a crescente presença dos animais de estimação na vida das famílias. Para Patrícia, mesmo negócios que não atuam diretamente no segmento pet precisam compreender essa transformação e avaliar de que forma ela interfere na experiência de seus clientes.

A economista defendeu ainda contratações mais assertivas, treinamento permanente das equipes, equilíbrio entre produtos de giro e de margem, vendas ativas e presença eficiente nos canais digitais. Segundo ela, a tecnologia deve servir para reduzir custos, aumentar receitas ou melhorar processos, sem criar dificuldades para o consumidor.

GESTÃO DE CAIXA, RESERVAS E CRÉDITO

Para os próximos períodos, Patrícia recomendou atenção especial ao fluxo de caixa, preparação para as mudanças decorrentes da reforma tributária, formação de reservas financeiras e uso estratégico do crédito. “Improvável é diferente do impossível”, afirmou, ao lembrar que acontecimentos recentes demonstraram a importância de empresas e famílias estarem preparadas para situações inesperadas.

Ao concluir, a economista ressaltou que o Brasil já enfrentou crises mais severas e que parte importante da capacidade de superar momentos difíceis está dentro das próprias empresas.  “Todo mundo tem onde pode enxugar, todo mundo tem onde pode potencializar o seu resultado. O básico bem feito ainda dá muito, mas muito resultado de verdade”, concluiu.

Ao final do encontro, Roberto Fabiani, Débora Balbinotti Lunardi e Darlan Dalla Roza entregaram uma lembrança institucional a Patrícia Palermo, em agradecimento pela participação no evento.

 


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