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SEGURANÇA |
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Feminicídio em Nova Prata: vítima já havia pedido medida protetiva |
| Roseli Albuquerque: 17º feminicídio do ano no RS |
Ari Albuquerque, que matou a ex-esposa, possuía comportamentos considerados agressivos, ameaçadores e manipuladores
A morte da ex-vereadora e diretora-administrativa Roseli Vanda Pires Albuquerque, o 17º feminicídio registrado no Rio Grande do Sul, ocorreu por volta de 3h30min, em seu apartamento. Ela foi assassinada pelo seu ex-marido, Ari Albuquerque, que também foi encontrado morto. Segundo a investigação, o casal estava separado há cerca de seis meses, quando Roseli deixou a casa onde morava com Ari.
Não havia registros de medida protetiva de urgência entre as partes. No entanto, em 2017, há quase 10 anos, Ari violentou Roseli e chegou a mantê-la em cárcere privado. Nesse dia, ela chegou a registrar ocorrência e solicitar uma medida protetiva de urgência, por 180 dias. Ele cumpriu, mas o casal chegou a reatar.
Roseli e Ari tiveram uma relação por quase 30 anos. Apesar de estarem em processo de separação, tinham uma convivência frequente, principalmente com o filho de Roseli, de 26 anos, que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Segundo a delegada, Ari, que foi o seu primeiro namorado, possuía comportamentos considerados agressivos, ameaçadores e manipuladores e, também, machistas. O assassinato, segundo a delegada, é decorrente de uma “violência clássica”, quando a mulher passa por constantes violências, mas não se afasta, não registra ocorrências ou solicita medidas protetivas.
Segundo a delegada, que recolheu informações com pessoas próximas, Roseli começou a traçar sua carreira pública e política em uma cidade muito pequena, e permaneceu junto com a mesma pessoa por muitos anos. Com carisma e trabalhando em causas sociais, a exposição de Roseli poderia ter sido uma das razões pela relação conturbada e pelo comportamento de Ari.
Agora, a investigação busca acesso aos telefones de Roseli e Ari, para verificar se houve um contato prévio, por troca de mensagens ou ligação, nos momentos anteriores ao assassinato. Por enquanto, não se sabe o que houve momentos antes do assassinato, como alguma possivel discussão ou agressão entre os dois. Mas, segundo relatos de testemunhas, Ari aparentava estar bêbado ao chegar no apartamento.
Poucas horas antes do crime, na noite de sexta-feira, Roseli recebeu uma amiga, Neusa Goin, com quem afirmou, em suas redes sociais, ser uma “amiga-irmã” e que revisitou o passado. Elas jantaram com o filho e a nora de Roseli.
Quem era Roseli Albuquerque
Natural de Paraí, Roseli foi vereadora, candidata a vice-prefeita do município nas eleições de 2024, e era, atualmente, diretora da Secretaria de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul, com uma sólida carreira consolidada no poder público e na política.
Sempre ativa nos assuntos relacionados ao trabalho político, Roseli trabalhou em diferentes causas. "Em todas as pautas que ela entrava, ela entrava de cabeça", disse o ex-deputado federal pelo Partido Social Democrático (PSD), Danrlei de Deus. Com quem conviveu durante, pelo menos, 12 anos – Roseli atuou como assessora parlamentar de Danrlei –, eles sempre mantiveram a proximidade. Inclusive, esteve junto à candidatura de deputado estadual. Segundo ele, o convívio com Roseli ultrapassava o trabalho.
Roseli teve dois mandados: em 2016 e 2020, na Câmara de Nova Prata. Ela foi a vereadora mais votada do município, em nome do Partido Social Democrático (PSD). Também concorreu como deputada estadual, em 2022, e vice-prefeita de Nova Prata, em 2024.
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